sexta-feira, 14 de outubro de 2016

sonhos
são
impenetráveis
mas 
revelam
onde
se quer
entrar 
de verdade

terça-feira, 20 de setembro de 2016

DANÇA INVISÍVEL

I  n f l amáveis

N ó s

Q u a d r i s

U m

I  mpeto

E fême ro

T e m

U m a

Dur ação


E terna

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

ABISMO

ambos estavam no abismo
um em cima, com os pés no chão
o outro com os pés no ar
seguravam as mãos com força
para que não caíssem
faziam uma força absurda
juntos
se olhavam profundamente
e aos poucos, acabaram se soltando
não deram conta do peso
um ficou, o outro caiu
se viram caindo até o infinito
e então espatifaram-se
cada um no seu lugar

terça-feira, 13 de setembro de 2016

SO!LÚ!ÇO!

Começou assim.
Três pontos e um vazio.
Não se falava nada.
A gente nem sabia o que perguntar.
Falávamos “coisas pássaros”, sabe?
Você fala e elas flutuam, seguem sem rumo, se tornam pássaros.
Solta-se algo no ar e deixa-se ir, não se tem resposta e nem se sabe porque se perguntou, são frases livres de qualquer retorno.
Ficamos parados, frente a frente.

– Faz quanto tempo que você não morre de saudades de mim?
– Morro?
- Morre?
– Mas… é preciso morrer?
– Sim.
– Eu não sei.
- Eu sabia.
- Sabia?
- Claro!
- Essas coisas a gente sente
- Mas eu sinto saudades
- Tô falando de uma coisa maior, um arrependimento de não ter ficado, de não ter me levado, de não ter pensado nisso tudo antes, de ouvir a minha voz, de sentir o meu cheiro, de olhar a minha foto 3x4 sempre que alguém não está olhando, de olhar as coisas e lembrar de mim… de desejar que eu estivesse, de me ligar e o coração acelerar, de se preparar para nosso reencontro.
- Você sente tudo isso?
- Já senti.
- Desse jeito?
- Muda um pouco de caso a caso.
- Você já sentiu isso muitas vezes?
- Algumas.
- Por mim?
- Também.
- Você já sentiu isso por muita gente?
- Por umas três pessoas.
- E eu sou uma delas?
- Já disse que sim.
- Mas desse jeito assim?
- Parecido. talvez as mesmas coisas mas em intensidade diferente.
- Será que eu nunca senti isso?
- Acho que sim, mas não por mim.
- Mas porque você fala isso?
- Porque conheço muito de você, até o que você quer quando faz a barba e corta o cabelo.
- Ah e o que é?
- Mudança.
- De quê?
- De qualquer coisa.
- Ninguém tem necessidade de mudar qualquer coisa.
- Mudar tudo então, melhorou?
- Melhorou.
- E tudo não pode ser qualquer coisa já que tudo é tudo?
- Depende do ponto de vista.
- O meu ponto de vista agora é que mais uma vez você quer ter razão e isso me esgota.
- Não, você está completamente enganada. Eu quero entender o que você está falando. Se eu pergunto você acha que quero ter razão. Seu eu não pergunto você acha que estou cagando.
- E não está?
- A gente começou falando de saudade e agora tá falando de merda, é isso mesmo?
- No final das contas, saudade é uma merda mesmo. Ainda mais quando a saudade é daquilo que você não tem mais, mesmo que aquilo esteja na sua frente, na sua cama, dentro de você.
- Dentro você diz, sexualmente?
- Também.
- E qual o outro jeito poderia ser dentro?
- O coração, ou o meu tá pra fora?
- As vezes quase sai pela boca.
- Ah claro, devo ser muito explícita mesmo.
- As vezes sim.
- E isso é bom ou é ruim?
- Depende do ponto de vista. Tudo é relativo.
- Meu deus! Estou trepando com a reencarnação do Eisten e nunca percebi. Só espero que o pau não caia.
- Trepando? É isso que você acha que a gente está fazendo quando tô dentro de você?
- Também.
- Explícita.
- Eu gosto de sacanagem, por isso gostei de você. Foi a maior sacanagem que eu poderia ter feito comigo mesma.
- Nossa! Eu sou tão péssimo assim?
- Nunca disse que sacanagem era ruim.
- Tá vendo? Ponto de vista.
- A gente nunca vai ter o mesmo ponto de vista nenhuma vez em toda a nossa vida?
- A gente tem as vezes.
- É, mas parece soluço, vem e passa. E passa com susto, isso é o mais phoda. Quase uma pixada de tapete.
- A gente gosta de vinho.
- É, a gente gosta.
- A gente gosta de transar.
- Eu de noite, você de manhã.
- A gente gosta de música.
- É a gente gosta.
- Você gosta de dançar.
- E você não.
- Mas eu gosto de te ver dançar, isso não conta?
- Conta, mas as vezes eu quero dançar com você. E tudo o que você gosta de fazer mais na vida é sem mim.
- Nossa, que exagero.
- Ué? Eu não sou explícita? Olha… até que não é ruim ser explícita, pensa. Você é pornográfico.
- Eu?
- É, cê tem uma capacidade tão grande de foder com tudo que chega a ser pornográfico.
- O que você tá fazendo comigo então?
- Meu coração tá na boca?
- Agora?
- É?
- Quase.
- Você faz eu me sentir viva. Faz doer a minha cabeça de tanto pensar, faz meu estômago se retorcer inteiro. Não sei explicar. Fica uma coisa aqui dentro mexendo.
- Nossa, você me causa tantas outras coisas.
- É, o que por exemplo?
- Você sabe, tesão, amor, saudade, te admiro, gosto do seu cheiro, da sua bunda, dos seus desenhos, das músicas que você gosta, das cores das suas roupas, você é o amor da minha vida.
- Fala mais.
- Gosto da sua comida, até quando você erra alguma coisa fica bom. Gosto de te ver dormir, acordar, tomar banho, da sua letra, das suas mensagens.
- Sério mesmo tudo isso?
- Sério.
- Nossa, então, você tem tudo pra morrer de saudades de mim.
- É, eu tenho. Eu morro. É que a gente nunca ficou longe muito tempo.
- O que você acha da gente dar um tempo pra ver se você morre mesmo?











segunda-feira, 5 de setembro de 2016

  s i l ê n c i o  


eles pedem
- se aquiete!
mas como hei
de aquietar
a inquietude?

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Quem me exige falar
pra dentro aqui fica de fora

fora ira
fora intolerância
fora machismo
fora misoginia
fora racismo
fora homofobia
fora descuido com as minorias
fora sua arrogância
fora sua ironia
fora seu sarcasmo
fora da minha casa
fora da minha vida
fora do meu mundo
fora um ser -humano? - que deseja que seu povo não saiba ler e escrever
fora você que não liga pra tudo isso
fora sua aversão ao diálogo
fora seu monólogo
fora seu nariz empinado
fora tanta coisa
fora o nojo que você me causa
fora minha ânsia
fora seu deboche
fora seu desprezo pelos artistas
fora sua predileção por mulheres submissas
fora sua gargalhada quando alguém chora
fora sua insensibilidade
fora, porque você me envergonha
fora sua tentativa de estar certo
fora seu olhar que desvia do óbvio
fora sua camisa da CBF
fora o tempo que você perde falando o que não sabe
fora sua burrice
fora o que você fala sem saber
fora o muro que você não sai de cima
fora sua atitude hostil
fora seu grito de guerra violento
fora xingamentos
fora fora fora fora fora fora
fora, um milhão de vezes fora
fora seu olhar que não enxerga o preto
fora sua mão fechada, que não divide
fora sua mão que soca
fora polícia militar
fora o soco que a polícia dá pra te representar
fora o que você pensa sobre mim sem me perguntar
fora o chute que você dá em cachorro morto
fora sua mesa posta com alguém do lado esperando pra te servir
fora você comemorar como quem vence a copa
o buraco é bem mais embaixo e você vai cair nele
fora sua predileção pela ignorância
fora sua cegueira
fora sua falta de ética
fora injustiça
fora barbárie
fora sua ditadura
fora seu militarismo
fora sua cegueira
fora seu abuso de poder
fora seu pensamento esvaziado
fora
for
fo
f
.
FORA
FORA
FORA


terça-feira, 30 de agosto de 2016


Pra Moça
 Promessa

    Premissa

Pressa

,     Premissa

Promessa


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