quinta-feira, 13 de agosto de 2009

ERA UMA CASA

- Você já vindo pra casa?
- Tô esperando a carona...
- Vem logo. Vem de ônibus.
- Não, tô com medo da gripe suína.
- Que gripe suína nada, vem logo, tenho uma surpresa.

A carona. O trânsito, três ligações.

"Tá chegando?", "Já tá perto?", "Que demora!"

Cheguei. Em cima da cama um demaquilante incrível. Novinho em folha, daqueles que tiram até sobrancelha. Um presente! Mas essa não era a surpresa. Achei melhor usar depois do banho, antes de dormir.

- Olha, vamos, preciso te levar num lugar. É lindo, que bom que o carro está quebrado, assim você vê melhor o caminho. Escuta melhor os pássaros. Sente melhor o cheiro das folhas. Ah, tem um salgueiro na porta! Vem, vem...

Tomamos o metrô até a estação Sumaré.

- É perto do metrô?
- É sim, bem pertinho.
- Tem subida?
- Não, tem não...

Voltas, árvores, pássaros, subidas, descidas, abraços. Promessas.
Chegamos em uma praça íngrime, de lá de cima dava para ver boa parte de São Paulo.
Um lugar que nunca tinha visto. Fui me equilibrando um parapeito, meio criança. Ele me dea a mão e me sinto assim.

- Imagina só, nossos filhos aqui, andando de bicicleta.

Silêncio. Imagens. Projeções. Olhos dágua.

- Vem, vem, ainda não chegamos, isso é só uma parte.

Chegamos em frente a uma casa branca, imensa, uma mansão.

- Olha, é aqui que a gente vai morar, o que você acha?
- Meu bem, essa casa é gigante. Deve ser uma fortuna. Você perguntou o preço?
- Não vou ligar amanhã.

Numa tentativa de não deixá-lo tão frustrado, eu iniciei um jogo.

- É deserto por aqui.
- Não, é do lado da avenida.
- É escuro.
- Está cheio de guaritas, você não viu?
- Não tem muita coisa perto...

Ele viu um guardinha.

- Moço, tem farmácia e mercado aqui perto?
- Sim, a duas quadras...
- Viu?!

E voltamos para casa, pensando, fazendo planos, pensando, subindo, descendo.
Tomei banho e fui deitar.

- Ei, você não vai usar o presente novo?
- O demaquilante?
- É!
- Não... hoje eu quero dormir com os olhos borrados se sonhos...

Ps: No dia seguinte recebi a mensagem no celular "um milhão e quinhentos mil, rs"

quinta-feira, 23 de julho de 2009

FEZ-SE?

Minha gente, o que houve com o twitter? Mês passado era a última bolacha do pacote e, venhamos e convenhamos, nem é para tanto assim vai... Para ler "faço carne ou frango?", prefiro deitar na minha cama e ler "ser ou não ser eis a questão". Prefiro mil vezes o blip.fm, que pesca as minhas musiquinhas 80 que nunca mais tinha pensado em ouvir e me traz de presente assim, num piscar de olhos, com cheirinho de Jazz (o perfume de homem que toda menina já usou)! Tipo qual? Hum... Tipo "O que que ela tem que eu nnao tenho" do Afrodite se Quiser. Se existe isso? Sim, claro. Dê uma busca no google e me cruxifique por ter tido a coragem de revelar que gosto. Aliás, gosto de Ritchie também, e muito! Quase morri quando ganhei um disco dele aos 8 anos e percebi que na capa do vinil ele usava uma aliança. Juro. Bom, voltando ao twitter... o que houve? Porque todo mundo agora só fala no Facebook. Só hoje três pessoas me perguntaram se eu tenho. Só esta semana duas dezenas de pessoas me mandaram convite. Só ontem eu pensei umas dez vezes em fazer um. E ainda estou pensando. Hotmail, gmail, flickr, orkut, twitter, lastfm, blip.fm, myspace, msn, gás, telefone, net, tim, eletropaulo, estacionamento (vezes 2), condomínio, cartão de crédito... só de saber que facebook também é um conta e que é mais uma coisa para gerenciar, eu tremo. Amigos, marquem encontro em outro lugar que eu possa ir. Me deixem pensar mais um pouquinho, vai?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

CARTA DO DIA, O CEIFADOR.

A importância de deixar ir

Cultivar o desapego é um dos conselhos fundamentais dado pelo arcano chamado "O Ceifador". Existem momentos da vida em que somos desafiados a perder cascas, a compreender a importância de caminhar, deixando paisagens para trás. Ainda que isso doa, uma vez que o nosso ego se estrutura a partir de apegos e identificações, é a compreensão mediativa de que tudo passa que lhe permitirá seguir caminhando e, enfim, abrir-se ao novo que belamente se introduz em sua vida, pouco a pouco, passo a passo, até que você apareça com a alma totalmente renovada. Procure se interiorizar neste momento, evitando grandes atividades sociais. Faça este contato com o núcleo da sua alma e você entenderá quais são as coisas que precisam ser deixadas para trás.

Conselho: Viver é perder cascas continuamente!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

A DIMENSÃO DA ARTE

Os grandes criadores são grandes em suas atitudes.
São enormes na forma de compreender o outro e imensos quando declaram seu amor em cena.
Os grandes criadores leem a alma e transformam em ferramenta de trabalho toda a sua vontade de compreender o ser humano.
Os grandes criadores são profundos e honestos com a sua verdade. São incentivadores do prazer e da satisfação plena quando tratam de algo que realmente acreditam.
Os grandes criadores agregam, eles têm o poder de reunir gente, amor e conhecimento, porque sabem que o pensamento do outro é tão indispensável quanto o seu. E que, sem conhecer o outro, é impossível se ter um parâmetro do que é dignamente apreciável. Sem competir, fazem isso simplesmente para apreender. E quando admiram, assumem a sua admiração em sopros de homenagens quando criam.
Os grandes criadores quando olham a sua volta, enxergam no outro a possibilidade de transformar e ser transformado. E é isso que os alimenta. Que os mantêm vivos.
Os grandes criadores nunca se prendem por paredes construídas por eles mesmos. Eles querem derrubá-las e construí-las todos os dias, de uma nova forma, mas sempre mantendo a mesma base, o mesmo chão: seu compromisso com a arte, com a vida.
Muitas vezes vamos vê-los chorar assistindo o outro. E rir. E agradecer. E continuar.
Os grandes criadores não param dentro de si. Seus relógios avançam em direção a algo muito maior. E sem perder a humildade, eles se tornam maiores do que o seu próprio mundo.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

FRIO QUE DÓI

Alguém pode desligar o ar-condicionado da Paulista?

ARRAIÁ DA SIMPATIA



Gente, tem quadrilha em homenagem a parada, cumpadi com cumpadi, cumadi com cumadi. Vem ver!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

BEIJO NO ASFALTO

Depois de três anos aguardando por uma vaga o prédio, ela veio. Meu mantra diário valeu a pena. E lembro de todas as vezes que voltei para casa de manhã, e a Ana Amélia dizia "égua, um dia tu ainda vais ter uma vaga aqui, ninguém merece chegar a essa hora e ainda ter que pagar o mico de tropeçar na frente de todo esse povo indo trabalhar". Olha, acreditem ou não, dia 1º de junho, exatamente um ano depois da Nêga ter ido para lá, onde moram os anjos, eu cheguei na portaria e tive essa fabulosa notícia:

- Ô dona "Angila", não precisa mais dizer que vai ficar grávida só pra conseguir uma vaga, ela é sua!"

- Ãh? Engraçadinho... (eu já tinha pisado no primeiro degrau da escada mentalizando isso), segunda-feira, um frio do caramba... não é dia de brincadeira não. Humpf.

- Suas vizinhas vão mudar. Deram prioridade pra você.

- ... AHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!! Obrigada meu Deus, obrigada Nêga, obrigada Obama!

- Mas, olha... não queria falar nada não mas... bem... o bebê sabe? Já tá na hora mesmo né?

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